Setembro Azul 2020 – Programação da campanha em todo o Brasil

Setembro azul é o nome de uma bela campanha que ocorre todos os anos, com o objetivo de conscientizar as pessoas sobre os direitos da comunidade de surdos do Brasil, bem como incentivar a discussão a respeito de iniciativas de inclusão dos mesmos na sociedade.

Com outras datas parecidas, como o Outubro Rosa (conscientização contra o câncer de mama) ou o Novembro azul (conscientização contra doenças masculinas), o Setembro Azul é importantíssimo na problematização de questões que, para a maioria da população, não representam um problema, mas que, para as pessoas afetadas, são essenciais.

Sobre o Setembro Azul

A comunidade surda brasileira comemora no mês de setembro sua identidade e a história de suas lutas e conquistas. Várias datas importantes para os surdos são comemoradas durante o mês. No dia 10 é comemorado o Dia Internacional da Língua de Sinais, 21 é o Dia Nacional da Luta das Pessoas com Deficiência, dia 26 é o Dia Nacional dos Surdos (conforme a lei nº 11.796 de 29 de outubro de 2008) e no dia 30 é comemorado o Dia Internacional do Surdo e o do Profissional Tradutor.

PrevençãoAlém destas datas, o mês de setembro também já abrigou:

  • 6/09 e 11/09: Congresso de Milão de 1880, no qual foi proibido o uso das Línguas de Sinais na educação dos surdos. Esse marco fez com que os surdos tivessem que se adaptar às línguas orais até que as línguas de sinais fossem novamente aceitas;
  • 23/09: Dia Internacional das Línguas de Sinais;
  • 26/09: Dia Nacional do Surdo. O dia foi escolhido por ser a data de fundação do INES (Instituto Nacional de Educação de Surdos), a primeira escola para surdos do Brasil.

A cor azul foi escolhida por conta de dois fatos históricos de suma importância: durante a Segunda Guerra Mundial, nos campos de concentração nazistas, as pessoas com deficiência eram identificadas com uma faixa azul colocada em seus braços. Além disso, durante o XIII Congresso Mundial da Federação Mundial de Surdos, que aconteceu em 1999 na Austrália, foi realizada a Cerimônia da Fita Azul, que relembrava a opressão que os surdos sofreram com o Nazismo.

Nessa cerimônia, o Dr. Paddy Ladd (um importante professor e ativista das causas dos surdos) usou uma fita azul no braço pela primeira vez como símbolo do movimento.

Ao longo do mês, vários eventos acontecem em todo o Brasil, tendo a data como tema. Universidades, órgãos governamentais, museus e outras instituições dedicam parte de seu tempo (e espaço) para as comemorações da data e para as pertinentes discussões sobre o tema. É possível assistir a várias palestras, debates, oficinas e curso de Libras. Caso tenha interesse, procure por esses eventos em sua cidade.

A Comunidade Surda conquistou o reconhecimento nacional sobre a Língua Brasileira de Sinais, LIBRAS, oficializada pela Lei Nº 10.436 de 24 de abril de 2002 e homologada pelo Decreto Nº 5.626/2005. Tal decreto reconhece a LIBRAS como a primeira língua do surdo, sendo o portuguesa considerada como segunda língua, defendendo a inserção de professores bilíngues e intérpretes nas escolas.

Essa língua é derivada tanto de uma língua de sinais regionais, quanto da língua gestual francesa, e por esse motivo, guarda semelhança com outras línguas de sinais da Europa e da América. Tal qual as outras línguas existentes, as línguas de sinais são compostas por níveis linguísticos complexos, tais como: fonologia, morfologia, sintaxe e semântica.

Nas línguas de sinais existem itens lexicais, que recebem o nome de sinais.

Esses sinais surgem da combinação de configurações de mão, movimentos e de pontos de articulação — locais no espaço ou no corpo onde os sinais são feitos — e também de expressões faciais e corporais que transmitem os sentimentos que para os ouvintes são transmitidos pela entonação da voz, os quais juntos compõem as unidades básicas dessa língua. Dessa forma, a Libras se apresenta como um sistema linguístico de transmissão de ideias e fatos, e capaz de dar “voz” ao surdo, e possibilitando uma maior inclusão social.

Setembro Azul

Rafaela Trevisan Cortes

Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Revoltada por natureza, vê na comunicação uma oportunidade de extravasar a sua paixão por curiosidades, arte e conhecimento.

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